Atualidade 31 março 2015
A morte de Maomé originou uma divisão entre os muçulmanos | Foto: Hernán Piñera

Para compreenderes o que está a acontecer em muitos países do Médio Oriente é essencial saber o que distingue os dois ramos do Islão.

Xiitas e sunitas são duas fações do Islão. A rivalidade entre elas não é de ontem, tem séculos de história e continua a ser responsável por inúmeros problemas e tensões nos países muçulmanos. A divisão começou em 632 com a morte de Maomé, que provocou divergências sobre quem deveria ser o seu sucessor.  

Aqueles que hoje conhecemos como sunitas, e que constituem a grande maioria dos muçulmanos (nove em cada dez islamitas são sunitas e apenas um em cada dez é xiita), pensavam que Abu Bakr (pai da mulher de Maomé e seu amigo), um importante comerciante de Meca, era o herdeiro religioso e político do profeta. 

Havia, no entanto, uma minoria - que hoje designamos por xiita - com opinião diferente. Para este ramo do Islamismo, o sucessor de Maomé deveria ter o seu sangue. Segundo os xiitas, o profeta tinha consagrado como herdeiro Ali, seu primo e genro. 

O primeiro califa (assim se designam os sucessores de Maomé) foi Abu Bakr. Governou apenas durante dois anos, até morrer. Alguns historiadores atribuem-lhe a compilação do Alcorão (ou Corão), o livro sagrado do Islamismo, que até então estaria escrito em documentos diversos.

Ali também liderou os muçulmanos, mas apenas trinta anos depois da morte do profeta, a seguir aos califados de Abu-Bakr, Umar e Otman. O líder dos xiitas esteve cinco anos no poder e para esta fação, ele foi o único califa legítimo. Já os sunitas, reconhecem Ali como califa, tal como os três antecessores, mas não lhe dão a mesma importância que os xiitas. 

Depois da morte de Ali, a rivalidade entre sunitas e xiitas cresceu mais ainda. Os xiitas queriam que o filho do líder, Hassan, assumisse a liderança. Mas o escolhido seria Muawiya ibn Abu Sufyan. Anos mais tarde, o filho mais novo de Ali, Hussein, comandou um grupo xiita rebelde, mas acabou assassinado e a divisão entre sunitas e xiitas agudizou-se.

Os dois ramos do Islão estão, no entanto, de acordo em vários pontos. Ambos consideram Alá como o único deus e Maomé como seu mensageiro, têm o Corão como livro sagrado e celebram o Ramadão.

A Arábia Saudita, a Síria ou a Jordânia são alguns dos países onde há uma maioria sunita, enquanto que no Iraque, no Líbano ou no Irão, a maioria dos muçulmanos são xiitas. 

O auto-proclamado Estado Islâmico veio agudizar ainda mais a tensão entre as duas grandes "famílias" muçulmanas. Neste artigo explicamos-te tudo sobre o grupo islamita radical, composto por sunitas que querem impor à força a sua visão radical do Alcorão, através da violência, e matar os xiitas que acusam de ser "infiéis" ao Profeta. Esta é uma visão com a qual a maioria dos seguidores do Islão não concorda e que diz não estar em conformidade com os princípios do Corão.

Para saberes quando e como começou o conflito na Síria clica aqui.

(Artigo atualizado a 15/11/2015)

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