Artes 28 setembro 2015
Crianças tomam banho num campo de refugiados no Iraque | Foto: Ateliers Reza

É disso que falam estas fotografias tiradas por jovens sírios a viver em abrigos. Longe de casa, longe de tudo.

"Vou dar-vos uma ferramenta que vos vai permitir dizer ao mundo o que estão a viver através de uma linguagem comum: a imagem".

Foi com estas palavras que o fotojornalista Reza se dirigiu a crianças e jovens sírios a viver no campo de refugiados de Kawergosk, no Iraque, em dezembro de 2013.

Reza - nascido no Irão, mas obrigado a mudar de país para poder exercer a sua profissão em liberdade - iniciou naquele campo o seu projeto "Exile Voices" (Vozes do Exílio), com a duração de cinco anos e o patrocínio do ACNUR, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados.

O que Reza faz com crianças e jovens a viver em campos de refugiados, em vários países do mundo, tem o poder de mudar vidas. Ou, pelo menos, de melhorá-las.

Reconhecido mundialmente por mais de trinta anos de trabalho a retratar a vida de refugiados, o fotógrafo vai aos campos dar formação em fotografia e oferecer máquinas fotográficas aos mais novos para poderem ocupar o tempo e retratar o seu dia-a-dia. O projeto arrasta-se no tempo: Reza volta uma e outra vez para prosseguir com os workshops. 

Para crianças e jovens como Amama, Amer, Amina ou  Maya (autores destas imagens) que, de repente, se viram a viver em campos onde falta tudo menos tempo, os "ateliês Reza" são o momento máximo de alegria. Significam empenho, resistência, sonho, esperança.  

A maioria dos jovens que participou no projeto continua, ainda hoje, quase dois anos depois, a viver no campo de Kawergosk.

São rapazes e raparigas que contam os dias para um quotidiano que lhes permita voltar a habitar uma casa em vez de uma tenda, ir a uma escola de verdade, fazer coisas tão banais como estudar numa secretária, tomar banho numa banheira, estar sentado no sofá a ver televisão, calçar umas sapatilhas que não estejam húmidas por terem congelado durante a noite.

Por enquanto, continuam a agarrar-se à máquina fotográfica como a um bom amigo: contam-lhe o que vivem, materializam o que sentem e emocionam Reza de cada vez que volta ao campo, para lhes dar mais aulas de fotografia e lhes falar do sucesso que as imagens tiradas por eles estão a ter, expostas em tamanho gigante na exposição "Sonho da Humanidade", patente até ao próximo dia 12 de outubro, nas margens do rio Sena, em Paris, junto ao Museu de Orsay.

Lê a entrevista que o JORNALÍSSIMO fez a Reza aqui.

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